Os lençóis do vento batem nas folhas das árvores. ouço as letras da
primavera balouçarem no campo das mesas.
vivem na força do poema que passa rápido.
e deixo-me inundar pelas águas que nascem de uma falta.
o poema passa como expressão de um círculo com outros círculos dentro;
libertar-se do centro é o seu movimento,
encontrar-se no texto com a poeira das horas.
escrevo cópias dele em toda a parte.
a criança deitada na noite, que chora nos bosques, procura-lhe a voz.
o corpo sente a sua linguagem pela distribuição das águas.
há rosas subtis que o texto vem procurar em nós.
como disse Rilke:
o que faz a sensualidade mais alta é a distribuição da luz.
maria azenha
Quinta-feira, 15 de Abril de 2010
poema V- quinta folha
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