Quinta-feira, 5 de Maio de 2011

quarta folha - poema V




Na parede da sala o luar fez descer a sua pequena música
em sereias e medusas no anel branco da noite.
é então que estremece,cintilante na areia,a praia nua
em seus cavalos brancos de sombras e de espuma.

e unindo uma a uma suas crinas de brancura
onde pousam abelhas de prodígio por detrás das dunas
o vento e o mar em vultos me procuram, não se cruzam.
no centro permanecem sem imagem nem colunas.

e espelhos de silêncio e ausência me recusam,
e muros de navios me reflectem e ressoam
na sala atravessada por um fio a prumo,
que corre eternamente para o fim do mundo




3 comentários:

DECIO BETTENCOURT MATEUS disse...

maravilha de poesia. Encantadíssimo!

Graça Pires disse...

"Espelhos de silêncio e ausência me recusam"... Uma beleza!
Beijos.

Carlos Ramos disse...

Gosto do teu ritmo. O titulo do blogue é delicioso...parabens.