Sábado, 25 de Junho de 2011

primeira folha- poema XI




Tivemos de atravessar o silêncio
queimar a boca com uma rosa de sangue
morder os vidros do vento
sulcar com alguma exactidão o branco.
firmar uma lança de água no manto dos vales
abrir o coração dos lírios
beber a nuvem no âmago dos cisnes
descer à inscrição do linho

- aprendizes de ritos na flauta das aves -

e aí tudo refulge na ciência da sede
tudo é alucinação
fonte
gruta
lago
árvores de bondade e música

porque és o arbusto a montanha a águia  e o riso
a rosa da paisagem a túnica do mundo
o fio do caminho
oh verde mão de musa



maria azenha


3 comentários:

Graça Pires disse...

"Tivemos de atravessar o silêncio
queimar a boca com uma rosa de sangue morder os vidros do vento"
Um excelente começo de um poema de "aprendizes de ritos na flauta das aves "...
Muito belo!
Um beijo.

N. Barcelli disse...

Fascinado pela tua poesia...
Beijo.

fernanda s. monteiro disse...

É sempre uma descoberta apaziguadora vir por aqui. Estive ausente e sem vontades. Agora voltei, e fico tão feliz de passar de novo por esta "sua casa" do meu contentamento. É de ler os blogues ( para além dos livros) que gosto e me acalma.
Abraço grande e boa semana.